Ter um pensamento negativo faz parte da experiência humana.
O problema não é pensar:
“Isso pode dar errado.”
O problema pode estar em permanecer preso durante horas ou dias ao mesmo pensamento, repetindo mentalmente as mesmas preocupações, problemas e cenários.
Na Psicologia, esse processo é conhecido como pensamento negativo repetitivo, envolvendo fenômenos como ruminação e preocupação persistente.
Pesquisas em neurociência e envelhecimento cognitivo têm encontrado associações entre níveis elevados desse padrão de pensamento e alterações em aspectos da cognição. Um estudo longitudinal, por exemplo, encontrou associação entre pensamento negativo repetitivo e declínio cognitivo, além de marcadores cerebrais relacionados à doença de Alzheimer.
Outra meta-análise, reunindo 94 estudos, encontrou uma associação entre pensamento negativo repetitivo e dificuldade para descartar informações que deixaram de ser relevantes da memória de trabalho.
Isso não significa que “pensar negativo destrói o cérebro”.
A ciência ainda investiga mecanismos, causalidade e quais fatores explicam essas associações.
Mas existe uma reflexão importante:
Você está pensando sobre um problema ou está repetindo o problema dentro da sua cabeça?
Refletir pode ajudar a encontrar soluções.
Ruminar pode manter a mente circulando no mesmo lugar.
Por isso, cuidar da saúde mental também envolve aprender a reconhecer quando um pensamento deixou de ser útil e passou a consumir sua atenção.
Nem todo pensamento precisa ser resolvido. Alguns precisam apenas ser percebidos, compreendidos e deixados passar.
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PSICÓLOGO LEANDRO MOTTA
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