A fase de mania no Transtorno Bipolar é um período em que o humor fica anormalmente elevado, expansivo ou irritável, acompanhado de aumento intenso de energia e atividade, indo muito além do “bom humor normal”. Não é apenas estar feliz — é uma aceleração global do funcionamento psíquico e comportamental.
🔹 Características centrais da mania
Para ser considerada mania (e não hipomania), os sintomas costumam durar pelo menos 7 dias ou exigir internação, e incluem:
1. Humor exaltado ou irritável
Euforia excessiva, sensação de poder, grandeza ou invencibilidade
Irritabilidade intensa quando contrariado
2. Aceleração do pensamento e da fala
Fuga de ideias (pensamentos rápidos e desconectados)
Fala pressionada, difícil de interromper
3. Aumento de energia e atividade
Agitação psicomotora
Envolvimento em múltiplas atividades ao mesmo tempo, sem concluí-las
4. Redução da necessidade de sono
Dorme poucas horas (ou nenhuma) sem se sentir cansado
5. Alterações do juízo crítico
Tomadas de decisão impulsivas
Comportamentos de risco: gastos excessivos, direção imprudente, abuso de substâncias, hipersexualidade
6. Autoestima inflada
Ideias de grandiosidade
Em casos mais graves, delírios (ex.: sentir-se escolhido, especial ou com poderes únicos)
🔹 Mania x Hipomania
Mania: prejuízo funcional grave, possível psicose, frequentemente requer internação
Hipomania: sintomas semelhantes, porém menos intensos, sem prejuízo social grave ou psicose
🔹 Impactos da fase maníaca
Apesar de, no início, a pessoa se sentir “muito bem”, a mania:
Desorganiza relações pessoais e profissionais
Compromete o julgamento e a percepção da realidade
Pode gerar consequências financeiras, legais e sociais importantes
Evolui, muitas vezes, para exaustão e fase depressiva
🔹 Compreensão clínica
Do ponto de vista psicológico e psiquiátrico, a mania pode ser entendida como:
Uma desregulação do sistema de humor, com falha nos mecanismos de inibição
Um estado de hiperativação emocional e cognitiva, no qual o limite entre desejo, ação e realidade fica enfraquecido
🔹 Manejo e tratamento
Estabilizadores de humor (como lítio, valproato, carbamazepina)
Antipsicóticos, quando há agitação ou sintomas psicóticos
Psicoterapia (especialmente para adesão ao tratamento, reconhecimento de sinais precoces e prevenção de recaídas)