Essa reflexão atribuída ao pediatra Daniel Becker toca em uma questão que vai muito além do celular.
Às vezes, entregamos uma tela para a criança quando ela está entediada.
Quando está inquieta.
Quando precisamos de alguns minutos de silêncio.
Quando não sabemos mais como entretê-la.
E, sem perceber, aquilo que deveria ser apenas uma ferramenta começa a ocupar o espaço da conversa, da brincadeira, do olhar e da presença.
Do ponto de vista da psicologia do desenvolvimento, a criança aprende muito nas relações: quando alguém conversa com ela, responde às suas perguntas, brinca, estabelece limites, ajuda a nomear emoções e participa da descoberta do mundo.
E a neurociência ajuda a compreender por quê: durante a infância, o cérebro está em intenso desenvolvimento, e experiências concretas, interação social, movimento, linguagem e brincadeira participam da construção de habilidades cognitivas e socioemocionais.
Por isso, talvez a pergunta não seja apenas:
“Quanto tempo meu filho fica na tela?”
Mas também:
“O que a tela está ocupando no lugar?”
Porque quando a tela substitui a brincadeira, a conversa, o movimento, o contato com outras pessoas ou simplesmente o direito de ficar entediado, existe uma experiência importante sendo deixada de lado.
Criança não precisa de um adulto perfeito.
Precisa de adultos disponíveis.
Nem sempre precisa de um desenho para se acalmar.
Às vezes, precisa de alguém que se sente ao seu lado.
Nem sempre precisa de uma tela para preencher o silêncio.
Às vezes, precisa descobrir o que fazer com o próprio tédio.
Porque presença não é apenas estar no mesmo ambiente.
É estar emocionalmente disponível.
E talvez uma das perguntas mais importantes da infância seja:
“Quando meu filho procura uma tela, será que ele também está procurando alguém?”
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PSICÓLOGO LEANDRO MOTTA
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