A literatura sobre apego dá bastante suporte à ideia, mas com uma ressalva importante: a infância pode influenciar os padrões emocionais e relacionais da vida adulta, porém não determina quem a pessoa escolherá. Estudos na SciELO relacionam modelos de apego formados nas primeiras relações às expectativas sobre intimidade, confiança, abandono e às formas de se relacionar posteriormente.
Nem sempre escolhemos apenas aquilo que nos faz bem.
Às vezes, escolhemos aquilo que nos é emocionalmente familiar.
Uma criança que aprendeu que amor significa ausência pode crescer confundindo distância com interesse.
Quem aprendeu que precisava agradar para receber afeto pode se tornar um adulto que se esforça demais para ser amado.
Quem viveu relações imprevisíveis pode confundir intensidade com amor.
E quem aprendeu que precisava lutar para receber atenção pode encontrar dificuldade em reconhecer uma relação tranquila como algo seguro.
A teoria do apego explica que, nas primeiras relações, construímos modelos internos sobre nós mesmos e sobre os outros: “sou digno de amor?”, “posso confiar?”, “as pessoas ficam?”, “preciso fazer algo para não ser abandonado?” Esses modelos podem influenciar relacionamentos posteriores.
A neurociência ajuda a compreender outro aspecto: experiências repetidas participam da aprendizagem e da formação de padrões de resposta. O cérebro tende a reconhecer e antecipar aquilo que já conhece.
Por isso, às vezes, o familiar parece confortável — mesmo quando não é saudável.
Mas existe uma diferença fundamental:
o que você aprendeu a chamar de amor não precisa ser a definição de amor que você levará para o resto da vida.
Padrões podem ser reconhecidos.
Crenças podem ser questionadas.
Relacionamentos podem oferecer novas experiências.
E a psicoterapia pode ajudar a perceber aquilo que antes acontecia automaticamente.
Talvez amadurecer emocionalmente seja deixar de perguntar apenas:
“Por que eu sempre escolho pessoas assim?”
E começar a perguntar:
“O que, dentro de mim, ainda confunde familiaridade com segurança?”
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PSICÓLOGO LEANDRO MOTTA
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