Com a “caixa de ferramentas” de Michel Foucault também é possível analisar a questão da apropriação política do corpo da mulher. Isso porque nos seus estudos sobre a hierarquia biopolitica dos corpos, Foucault também insere a questão do dispositivo de sexualidade e da categorização dos corpos, além do governo das condutas, em função das questões sobre a sexualidade. É possivel dizer, a partir de Foucault, que a função reprodutiva da mulher é utilizada a exaustão pelo sistema POLITÍCO, motivo pelo qual a ela é VEDADA a autonomia em relação ao próprio corpo. O corpo da mulher, apropriado pelo poder político, não tem direito de escolha. A função reprodutiva da mulher é o principal motivo pelo qual ela é atravessada por mecanismos de poder e de governo que a querem manter relegada a submissão. Corpo utilizado a ser docilizado, como diria Foucault, em Historia da Sexualidade vol 1:
“Histerizaçao do corpo da mulher: tríplice processo pelo qual o corpo da mulher foi analisado, qualificado e desqualificado, como corpo saturado de sexualidade […]pelo qual foi integrado ao campo das práticas médicas pelo qual foi posto em comunicação com o corpo social (cuja fecundidade deve assegurar), com o espaço familiar e com o qual a vida das crianças (que produz e deve garantir, através de uma responsabilidade biologico-moral): a Mãe, com sua imagem em negativo que é a “mulher nervosa”, constitui a forma mais visível desta histerizaçao” (p. 115).
Maternidade compulsória, veto aos direitos reprodutivos, violação de seu corpo etc, são os temas urgentes a respeito da vida das mulheres que pensadores como Simone de Beauvoir, Silvia Federici e o próprio Foucault, podem e devem nos auxiliar a manter em pauta.