A ideia supervalorizada é um distúrbio do conteúdo do pensamento caracterizado por uma crença ou convicção que, embora possa ter algum fundamento real, é exagerada e ocupa um espaço desproporcional na vida psíquica da pessoa. Diferente do delírio, que é totalmente desconectado da realidade, a ideia supervalorizada nasce de algo plausível, mas se torna rígida, dominante e resistente a argumentos contrários.
Características principais
- Surge de um tema real ou possível (político, religioso, moral, ideológico).
- É carregada de forte valor emocional.
- Domina o pensamento e influencia o comportamento.
- Não chega a ser um delírio, mas se aproxima pela intensidade e inflexibilidade.
Exemplos de comportamento
- Religioso: alguém que passa a interpretar todos os acontecimentos como sinais divinos, dedicando horas diárias a rituais e tentando convencer os outros de que só sua fé é verdadeira.
- Político/ideológico: uma pessoa que vê qualquer notícia ou conversa como prova de uma conspiração contra seu partido ou causa, reagindo com agressividade a opiniões divergentes.
- Saúde/corpo: indivíduos que acreditam de forma exagerada que possuem uma doença grave, mesmo após exames normais, e reorganizam toda a vida em torno dessa preocupação.
- Moral/social: sujeitos que se tornam fanáticos por uma causa (ex.: defesa de animais, ecologia, justiça social), chegando a hostilizar quem não compartilha da mesma intensidade.
Exemplos de falas
- “Tudo o que acontece no mundo é porque Deus está me mostrando algo, eu tenho uma missão especial.”
- “Não importa o que digam, todos os jornais estão manipulados contra o meu partido.”
- “Os médicos não querem admitir, mas eu sei que tenho câncer, sinto isso no meu corpo.”
- “Quem não luta pela causa ambiental é cúmplice da destruição e merece ser punido.”
Essas falas ilustram como a ideia supervalorizada se infiltra no discurso cotidiano, tornando-se quase uma lente única pela qual a pessoa interpreta a realidade.