Na Psicologia, a maneira como interpretamos acontecimentos influencia diretamente a forma como lidamos com a culpa, a responsabilidade e o sofrimento.
Algumas pessoas encontram na religião acolhimento, sentido e esperança.
Outras podem utilizar explicações religiosas para evitar o contato com sentimentos difíceis ou responsabilidades pessoais.
Mas é importante compreender:
•Isso não significa que toda religião incentive a fuga da responsabilidade.
•Diferentes tradições religiosas também valorizam o arrependimento, a reflexão, a reparação e a responsabilidade pelas próprias ações.
A questão psicológica surge quando uma pessoa passa a explicar tudo exclusivamente por fatores externos:
“Foi o destino.”
“Foi uma energia negativa.”
“Foi uma influência espiritual.”
“Foi porque alguém me desejou mal.”
“Deus quis assim.”
Essas interpretações podem oferecer conforto em determinados contextos.
Mas, quando utilizadas para evitar qualquer reflexão sobre as próprias escolhas, podem dificultar o desenvolvimento do autoconhecimento.
Na Psicologia, isso pode ser relacionado ao locus de controle externo: a tendência de atribuir os acontecimentos principalmente a forças externas, em vez de reconhecer também a influência das próprias decisões e comportamentos.
Existem injustiças, perdas, doenças, acidentes e acontecimentos que não são causados pela pessoa.
Responsabilidade não é o mesmo que culpa.
Você pode não ser culpado por tudo o que acontece na sua vida. Mas pode refletir sobre como responde ao que acontece.
Porque acreditar em algo maior não precisa significar deixar de reconhecer a própria participação na construção da vida.
A fé pode oferecer sentido. O autoconhecimento pode oferecer consciência. E responsabilidade começa quando conseguimos olhar para nossas escolhas sem precisar encontrar um culpado para tudo.
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PSICÓLOGO LEANDRO MOTTA
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