Quando um psicólogo é nomeado para atuar em processos judiciais, muitas vezes precisa elaborar quesitos — perguntas técnicas que orientam a avaliação psicológica e servem de base para a construção do laudo. Esses quesitos devem ser formulados com clareza, objetividade e pertinência, sempre respeitando os limites da ciência psicológica e o escopo da demanda judicial.
O que são quesitos?
– São perguntas específicas que direcionam a investigação psicológica em um processo judicial.
– Podem ser elaborados pelo juiz, pelas partes envolvidas ou pelo próprio perito/assistente técnico.
– Servem para garantir que o laudo responda às necessidades do processo, sem extrapolar para juízos de valor ou áreas que não competem ao psicólogo.
Como o psicólogo pode elaborar quesitos
1 – Analisar a demanda judicial
– Compreender o objeto do processo (ex.: guarda de filhos, capacidade civil, responsabilidade penal).
– Identificar quais aspectos psicológicos são relevantes para a decisão judicial.
2 – Definir o foco da avaliação
– O psicólogo deve delimitar o que pode ser investigado cientificamente (ex.: funcionamento cognitivo, traços de personalidade, dinâmica familiar).
– Evitar quesitos que impliquem juízo moral ou previsão absoluta de comportamento futuro.
3 – Formular perguntas claras e objetivas
– Usar linguagem acessível, sem jargões técnicos excessivos.
– Estruturar as questões de forma que possam ser respondidas com base em evidências psicológicas.
4 – Exemplos de quesitos bem elaborados
– “O avaliado apresenta indícios de transtorno psicológico que possam comprometer sua capacidade de discernimento?”
– “Quais são as condições emocionais da criança diante da disputa de guarda?”
– “Há sinais de que o avaliado possui recursos psicológicos para compreender e participar do processo judicial”.
5 – Evitar quesitos inadequados
– Perguntas que exigem previsão absoluta de conduta futura (ex.: “O avaliado voltará a cometer crimes?”).
– Questões que extrapolam a competência da Psicologia (ex.: “O réu deve ser condenado?”).
– Indagações que envolvem valores morais ou religiosos.
Papel do psicólogo
– O psicólogo atua como perito ou assistente técnico, oferecendo subsídios científicos para a decisão judicial.
– Sua responsabilidade é garantir que os quesitos sejam pertinentes, éticos e fundamentados em teorias e práticas reconhecidas pela Psicologia.
– O laudo deve responder aos quesitos de forma técnica, imparcial e fundamentada, sem emitir juízos que cabem exclusivamente ao magistrado.