Autismo nas relações afetivas adultas

Para muitas pessoas autistas, estar em sociedade é como atuar. Cada interação exige um esforço quase sobre-humano para parecer espontâneo, agradável, interessado, coerente. É ler expressões, prever respostas, controlar gestos, silenciar desconfortos, escolher palavras com cuidado… tudo isso ao mesmo tempo.


Esse esforço tem um nome: mascaramento. E embora possa passar despercebido aos olhos dos outros, ele cobra um preço alto. Cansa. Esgota. Drena a energia mental e emocional. Faz com que, muitas vezes, o simples fato de se relacionar se torne mais penoso do que gratificante.


Por isso, não é raro que pessoas autistas se destaquem na produtividade, na lógica, na organização — em ambientes em que as regras são claras, os objetivos são definidos e os resultados dependem mais de competência do que de jogo social. Produzir, criar, entregar algo concreto dá sentido, dá controle, dá alívio.


Já no mundo das relações, tudo é mais vago. Mais volátil. As expectativas mudam, os códigos são implícitos, as reações nem sempre fazem sentido. E o medo de errar, de parecer estranho, de ser mal interpretado… é constante.


Isso não significa falta de afeto ou desejo de conexão. Pelo contrário: muitas vezes existe um desejo profundo de se vincular — mas o custo para isso pode ser alto demais. O mascaramento contínuo gera ansiedade, exaustão, sensação de inadequação e, em muitos casos, leva ao isolamento.


Reconhecer esse custo é o primeiro passo para construir espaços mais acessíveis, relações mais empáticas e vínculos mais verdadeiros. Espaços onde não seja preciso fingir para pertencer. Onde o que conta não seja o quanto alguém se adapta, mas o quanto pode ser quem é.