O assédio moral no ambiente de trabalho é um fenômeno amplamente estudado pela psicologia organizacional e pela psicodinâmica do trabalho, e seus efeitos são profundos, tanto no indivíduo quanto na dinâmica da equipe e da empresa.
- O que é assédio moral na ótica psicológica
Na psicologia, o assédio moral é entendido como uma forma sistemática e prolongada de violência psicológica, caracterizada por comportamentos humilhantes, constrangedores ou desestabilizadores, com o objetivo de isolar, desmoralizar ou forçar a saída de um trabalhador.
Segundo Marie-France Hirigoyen, uma das principais estudiosas do tema, ele não é um ato pontual, mas um conjunto repetitivo de práticas abusivas.
- Consequências psicológicas para o trabalhado
O assédio moral provoca sofrimento psíquico intenso, pois atinge diretamente a identidade profissional e a autoestima. Entre as consequências mais comuns estão:
Ansiedade e estresse crônico – devido à exposição constante a pressões e humilhações.
Depressão – sentimento persistente de tristeza, desesperança e perda de interesse pela vida e trabalho.
Síndrome de Burnout – esgotamento físico e mental, associado ao desgaste prolongado.
Transtornos psicossomáticos – dores de cabeça, problemas gastrointestinais, alterações do sono, tensão muscular.
Transtornos de ansiedade generalizada ou pânico – crises repentinas de medo, palpitações, sudorese.
Baixa autoestima e sentimento de inutilidade – abalo profundo na autoconfiança.
- Consequências para o ambiente de trabalho
A psicologia organizacional aponta que o assédio moral não destrói apenas a vítima, mas compromete todo o clima organizacional:
Queda na produtividade – trabalhadores se sentem inseguros e menos motivados.
Aumento do absenteísmo – licenças médicas e afastamentos frequentes.
Clima de medo e competição tóxica – as pessoas evitam se posicionar por receio de retaliações.
Rotatividade elevada – perda de talentos e aumento de custos com substituição e treinamento.
- Consequências sociais e jurídicas
Do ponto de vista social e legal, o assédio moral também é reconhecido como um **fator de risco psicossocial** e, em muitos países (incluindo o Brasil, via normas como a NR-17 e a Lei nº 14.457/2022), empresas podem ser responsabilizadas.
Além disso, o trabalhador pode buscar indenização por **dano moral** e afastamento pelo INSS em casos de incapacidade temporária causada pelo adoecimento psicológico.
- Perspectiva da psicologia
A psicologia vê o assédio moral como um trauma relacional crônico: ele mina a saúde mental porque se constrói no tempo, fragilizando lentamente a resistência emocional. O tratamento envolve, muitas vezes:
Psicoterapia (individual ou em grupo) para reconstruir autoestima e identidade profissional.
Apoio médico para tratar sintomas físicos e psíquicos.
Intervenção organizacionapara cessar práticas abusivas e promover um ambiente saudável.